Alguns podem ter a sensação de que o título deste artigo já foi visto em algum lugar, que essas palavras não lhe são estranhas e que parece que estou as copiando de algum lugar. Para os que pensaram assim posso dizer que fiquem tranquilos pois estão com a Razão. O nome "Crítica da Razão Pura" é um livro clássico de Immanuel Kant, filósofo prussiano (o Império da Prússia se localizava em grande parte na atual Alemanha e Polônia), escrito em 1781. E o assunto do artigo de hoje me remeteu a esse livro. Um livro denso, lotado de caminhos para ampliar o entendimento sobre a sociedade e política e um desses caminhos me levou a pensar a política em nosso município.
Imediatamente após qualquer eleição se forma um grupo de governo eleito e outro de não eleitos. O período de transição, entre a eleição e a posse, na maioria das vezes define como ficará a oposição. Oposição formada de forma fragmentada, pelo menos no início. Pois lá ficam os que não tiveram sucesso nas urnas, os que perderam posições no governo que termina, os que receberam promessas do governo que se inicia e não foram atendidos, os que pediram para entrar no governo e igualmente não foram recebidos, os que votaram ou trabalharam para candidatos derrotados e os que ideologicamente se colocam contra o grupo que chega ao governo.
Esse grupo opositor pode seguir disperso e fragmentado por muito tempo, pois mesmo com alguns objetivos comuns, não possuem afinidades políticas nem sociais. E por essa característica se o governo possuir unidade e planejamento em suas ações tem a tendência de permanecer mais forte que o grupo de oposição. Exatamente por isso o número de reeleições no executivo e muito superior aos de gestores que não tem sucesso em alcançar um segundo mandato.
Trazendo essa análise para a política de Macaé podemos observar esses fatos muito claramente e com algumas características particulares. A eleição de Welberth foi precedida de uma campanha muito disputada. Muitos candidatos e uma disputa muito forte pela liderança dos votos. Quatro candidatos tinham chances reais de se elegerem no final da campanha. A composição política conquistada da pela candidatura do deputado Welberth Rezende levou a sua eleição. Uma grande coligação na majoritária levou diversos candidatos a vereador também o apoiar. Além de contar com o pedido de votos do então prefeito Aluízio e boa parte de seus secretários e apoiadores.
Não há um problema ético ou moral, muito menos judicial, quando após a eleição o vencedor compõe seu governo com os aliados políticos. É até uma questão de coerência e de reconhecimento politico. O problema é quando a Razão é desafiada pela falta de caráter de alguns destes agentes políticos. E com a citação de Kant entro mais a fundo na análise.
"Não se pode duvidar de que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, porque, com efeito, como haveria de exercitar-se a faculdade de se conhecer, se não fosse pelos objetos que, excitando os nossos sentidos, de uma parte, produzem por si mesmos representações, e de outra parte, impulsionam a nossa inteligência a compará-los entre si, a reuni-los ou separá-los, e deste modo à elaboração da matéria informe das impressões sensíveis para esse conhecimento das coisas que se denomina experiência?
No tempo, pois, nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela."
A experiência é a base do conhecimento. E isso é aplicado na prática politica vamos ao exemplo macaense. Welberth chega a prefeitura com apoio do atual governo, é natural que a base político/administrativa seja mantida, além dos os acordos (lícitos) para ocupar os cargos políticos são cumpridos, tanto são, que vereadores derrotados nas urnas e alguns até impedidos de concorrer receberam grande espaço nas secretárias. Até aí nenhum problema. Sou da opinião que os cargos políticos, como é o de secretario, podem ser ocupados com nomes políticos, o erro principal é o de que o indicado ao cargo não se cerca de dois fatores importantíssimos. O primeiro é chamar ou manter nos cargos técnicos, os técnicos competentes e não os substituí-los por outros agentes políticos e segundo, manter a coerência e a unidade com as politicas conduzidas pelo prefeito. Não seguir nessa caminho é a certeza de problemas logo a frente.
Exemplos: A partilha de cargos no executivos indicados por vereadores e a saída de Carlos Emir da secretaria adjunta da saúde. O primeiro caso coloca em xeque o prefeito pois precisa nomear pessoas que, na maioria das vezes, não conhece ou até sabe da incapacidade da pessoa, mas precisa mantê-la para ter o apoio do vereador e o segundo caso coloca em exposição negativa, novamente o prefeito, pois tem entre suas cargos de confiança uma pessoa que publicamente discorda das decisões tomadas pelo chefe do executivo.
Recentemente o agravamento da crise de saúde coloca ainda mais pressão sobre o prefeito, que ao tomar decisões, certas ou erradas, mas que são tomadas, desagrada uma parte ou outra da população. Aproveitando o lamento e críticas destas parcelas da população, o grupo que está na oposição se notabiliza. Muitas das vezes de forma construtiva mas outras apenas para destruir. O perigo destas posições é o ponto em que termino o artigo de hoje.
Estar na oposição pode significar estar ao lado de quem era opositor no passado. A exemplos de Macaé podemos colocar na oposição ao prefeito Welberth Léo Gomes e Marcel Silvano que vão acabar concordando e parecendo estar juntos quando se manifestarem contra ações da prefeitura. Vou apenas ficar nesse exemplo porque é muito emblemático. os dois personagens políticos trocaram criticas, inclusive além do ponto político. Com a evolução do debate e da administração publica veremos logo logo grandes inimigos de braços dados por seus próprios interesses e carreiras.
Por isso o título deste artigo. Falta muita Razão a crítica política em tempos tão confusos seja por confusão sanitária, política ou intelectual.
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