As mortes de profissionais da educação em Macaé

 É chocante visitar a rede social do vereador de Macaé Guto Garcia. Em menos de 60 dias são sete registros de profissionais da educação do município de Macaé que faleceram em decorrência da COVID19. Vou  transcrever fragmentos dos textos postados pelo vereador em sua conta no Facebook.

1 -  Maria da Glória  Santos, a tia Goinha, era  auxiliar de serviços escolares na Escola Municipal de Educação Infantil Nossa Senhora da Conceição, no Aeroporto

2- Franciane Rodrigues, a nossa querida Fran. Uma jovem de apenas 30 anos, que não conseguiu vencer a luta contra a Covid. Fran será sempre lembrada por nós pela sua dedicação ao trabalho no setor de Matrículas,

3 - Wilma Nery trabalha na Secretaria de Educação e precisa nesse momento de muita energia positiva

4 - professora Maria Luiza, do Colégio Municipal Ivete Santana Drumond de Aguiar, no Frade

5 - Geisa. Companheira em todos os momentos , amiga , colega de profissão, cumpridora das suas obrigações  com alegria e afeto. REAJA GEIZA! 

6 - Cláudia Bastos, a tia Claudinha, que trabalhava no Colégio Estadual Municipalizado Ana Maria Bacellar Leite e Santos

7 - Recebemos com pesar a notícia do falecimento da orientadora pedagógica Denise Lima Cavalcanti. Denise trabalhava na Escola Municipal Sônia Lapa


Certamente é apenas um retrato de uma rede social do ex secretário de educação e atual vereador que defende do jeito dele, a educação municipal. Estatísticas oficias não são divulgadas pela prefeitura, ou pela secretária de saúde e muito menos na secretaria de educação. Portando os casos de Covid 19 nos servidores de Macaé não são divulgados, se é que são catalogados.

Indo mais a frente na análise destas tragédias podemos ter certeza que essas mortes são o espelho do que acontece na rede privada e na sociedade como um todo. A pandemia não atinge de forma selecionada um ou outro cidadão, evidente que temos um grupo de alto risco que são os profissionais de saúde. Mas todas as demais categorias são atingidas de uma forma ou de outra, pois todos se relacionam, a sociedade passou séculos evoluindo para agir de forma conjunta e agora se vê forçada a se isolar. Certamente um movimento muito difícil de realizar com sucesso.

Voltando a Macaé o que mais impressiona nos políticos eleitos é a vontade de agir de modo impulsivo, amador e pessoal.
Impulsivo pois atuam apenas de forma reativa a provocações acaloradas de segmentos da sociedade, principalmente quando esses segmentos passam por suas dificuldades, que são legitimas, mas quase sempre expostas de forma abrupta e, como destaco, impulsiva. Quando o comercio vê suas vendas e serviços caírem e natural que busquem recompor ou recuperar essa renda, mas não pode ser a qualquer custo, muito menos ao custo de outras parcelas da população que pensam diferente e, da mesma forma, precisam ter seus pontos de vista defendidos.
Políticos, principalmente eles, reagem de forma amadora quando protocolam projetos, indicações, ou requerimentos sem qualquer base cientifica, sem consulta a profissionais, sem pareceres ou laudos técnicos que deem base as suas proposições. A população quando se manifesta sem as bases  é compreensível, mas os políticos do executivo ou do legislativo, não tem esse direito. 
Mas a pior forma de reagir é a forma pessoal, onde agentes políticos buscam soluções que atendem apenas sues interesses particulares ou os interesses daqueles que representa. No caso específico da educação, que é o tema desta postagem, o vereador Guto Garcia deveria se declarar impedido de votar pois é dono de escola privada e tem de uma forma ou de outra, interesse privado em uma matéria pública.

O distanciamento de vereadores e prefeito eleitos quando assumem seus cargos é um barreira que precisa ser quebrada. O isolamento nos gabinetes prejudica a ação politica e social destes agentes. É comum logo após a eleição ou a posse, encontrar correligionários reclamando que não conseguem mais falar com um vereador ou outro, e até mesmo com o prefeito. Esse distanciamento cega o representante eleito para o caos que vivemos nessa pandemia. É desnecessário esperar que eles tenham alguma perda de pessoa próxima para que se sensibilizem do grave problema que enfrentamos. Justamente por isso a morte ou o sofrimento de um desconhecido não causa nenhum impacto na vida de políticos que abandonaram as ruas depois da campanha.  

A contagem de mortos é dura, triste e angustiante, espero que possamos parar por aqui e que as manifestações dos vereadores dando parabéns ao prefeito que declarou que tem a intenção de comprar a vacina, ou que entrou no consorcio para a compra da vacina ou que liga duas vezes por semana para a FIOCRUZ para saber se já pode comprar a vacina, se transforme em ações que garanta a vida das pessoas (comerciantes, estudantes, crianças, aposentados, empregados e desempregados) sem distinção, afinal temos um Estado constituído para nos socorrer e não para nos enterrar.

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