O comportamento dos macaenses na pandemia.

     O Título desta postagem pode parecer presunçoso, e até é em alguns aspectos, mas segue na intenção de fazer com que possamos refletir sobre nosso comportamento social durante esse período de pandemia, afinal já passamos de um ano desde o primeiro decreto e certamente teremos muitos outros até que consigamos vacinar a todos os moradores e trabalhadores de Macaé.

    Um fato simbólico e emblemático nas ações de combate ao corona vírus foi o decreto  30/2020 de 16 de março de 2020, onde o então prefeito Dr. Aluízio fechava por 15 dias as escolas públicas e privadas de Macaé. Lembro bem porque quando o decreto foi divulgado eu estava em uma palestra no Colégio Engenho da Praia e naquele instante as crianças começaram a ser informadas e dispensadas. A alegria no rosto das crianças e adolescentes era indisfarçável, parecia que estavam entrando novamente de férias e todos imaginavam que em 15 dias estaria tudo bem, pois era o tempo que o vírus levava para cumprir seu ciclo e desaparecer.  O Jorge Caldas, no mesmo decreto, se torna centro de atendimento especializado, os ônibus escolares foram colocados a disposição da população a custo zero e servidores idosos e com comorbidades são afastados do trabalho.

     Ainda confusos entramos naquela espécie de férias forçadas, enquanto a prefeitura jogava detergente pelas ruas e a cada decreto fechava mais um segmento da sociedade e do comércio.

    Naquelas semanas posteriores a população e o comércio suportaram e atenderam bem as medidas de isolamento. Ruas vazias, praias desertas e cidade fechada por barreiras que impediam até os ônibus intermunicipais poderiam passarem. As linhas para Cabo Frio, Campos e Rio de Janeiro pararam de circular. Foi um grande esforço e Macaé foi um município com poucos casos fatais. O prefeito Aluízio que não tinha mais a mesma popularidade de quando reeleito, virou uma espécie de herói municipal, com justiça por sinal, pois suas medidas duras evitaram, naquele momento, consequências ainda mais graves na saúde da população. 

    Só que a pandemia não foi superada e o comércio, sentindo os prejuízos do fechamento, iniciou uma pressão pela reabertura geral. O prefeito ainda suportou algum tempo, mas quando os números de casos baixaram a reabertura começou. 

    Comercio aberto, fim das barreiras, aulas on line era o nosso cenário a população voltava a normalidade aos poucos. Praia, shopping, comércio quase tudo como era antes e veio então a campanha eleitoral. Esta sim, devolveu um falso ar de normalidade as ruas de Macaé. Com poucas exceções e poucas pessoas combatendo as práticas proibidas, os candidatos lançaram-se em um vale tudo. Carreatas, caminhadas, panfletagem, reuniões, festas, bailes churrascos, tudo pelo voto. A porteira estava aberta, como retornar ao normal depois de tamanha abertura? 


    Muda prefeito as as ações continuam no caminho da abertura, orla liberada e planejamento de volta presencial as aulas em fase final de execução. Mas veio a segunda onda da pandemia. Primeiro no exterior, depois nas grandes cidades e por fim em Macaé. Novos decretos, novos casos, novas mortes. Paralelo a essa segunda onda estava a busca pela vacina e isso parecia confortar algumas pessoas, mas outras, a grande maioria, não queria e nem suportava mais isolamento. eles continuaram nas ruas, nas praias, nas festas, nos bares. E esse comportamento irresponsável era justificado em declarações de políticos e personagens nebulosos que garantiam que "mascara não resolve nada", "que a vacina não cura", "só idoso corre risco" e outras bobagens mais.
  

    Hoje lutamos contra o vírus, contra a desinformação, contra a politização da pandemia e o pior de tudo, em muitos casos, lutamos contra nós mesmos.

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