Nos acostumamos facilmente com a estupidez dos atos. Isso sempre acontece quase sempre por dois motivos. O primeiro pela distância temporal deles. Como um desastre aéreo que aconteceu em 1974, a passagem dos anos apagou a dor dessa tragédia que comoveu o mundo. Ou por um fato ainda mais grave logo depois, como um terremoto seguido de um tsunami. O terremoto que levou dezenas de vidas é esquecido pela onda mortal que levou milhares de ainda mais vidas do outro lado do oceano.
Em paralelo a esses fatos logos se seguem duas correntes de pensamento humano. Os fatalistas e os negacionistas. Fatalistas farão previsões ainda piores, contarão as consequências ainda mais garves após uma tragédia, lerão diversas vezes as mesmas notícias, multiplicando ainda mais a dramaticidade dos fatos. Negacionistas pegarão os atos e os colocarão debaixo do tapete. Farão comparações com terremotos ainda maiores, com tsunamis ainda mais devastadores. Argumentarão que a tragédia não é tão grande pois as pessoas morreram porque já estavam doentes, ou porque sempre morre gente no mundo ou ainda pior. Dirão: - Eu não conhecia eles mesmo.
E hoje não temos um cenário diferente, trazendo o assunto para as nossas terras macaenses nos pegamos comemorado a faixa laranja como se fosse uma vitória redentora. Acreditamos que morrer uma quantidade menor de pessoas é fato para ser festejado e encontramos frases cruéis como : - Hoje só morreu uma pessoa, graças a Deus.
Perdemos nossas referências de humanidade em troca de uma referência estatística. Muitas das vezes assistimos tranquilamente um político na TV dizendo, burocraticamente, que lamenta os mortos mas a vida tem que continuar. Sim, a vida dele vai continuar, a vida das famílias que perderam suas pessoas amadas jamais serão as mesmas e ignorar isso é uma total desumanidade.
Homens públicos criam estratégias para escapar de seus maus hábitos, de suas insensibilidades e de seu mau caratismo. Esses eleitos e postulantes a cargos políticos aprenderam que podem manipular a mídia produzindo pequenas boas notícias depois de grandes escândalos. Cabe a nós manter o radar ligado, a crítica afiada e o poder de cobrança intacto.
Manchetes como:
Hoje só morreram 4 não me deixa tranquilo e nem me faz achar que está tudo melhorando.
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