O descompasso da pandemia em Macaé

 A cidade passa por um momento de muitos caminhos nessa pandemia. E todas as decisões que tomamos influencia de alguma forma a vida de alguém. Quando deixamos de comprar um produto pelo outro, quando mudamos nossos hábitos de consumo, quando deixamos parte de uma rotina de lado, quando mudamos de escola ou de academia, enfim, em cada nova atitude uma parte da vida de alguém é afetada. É o dono de academia que perde cliente ou a pizzaria que aumenta suas entregas. 

E sendo esse um momento de crise os políticos eleitos por nós tem uma tarefa ainda mais complexa, ainda mais importante e que muda de forma muito mais significativa a vida das pessoas. Em tempos de Covid19 cada decisão afeta um setor da sociedade e o setor afetado tem todo o direito de reivindicar sua sobrevivência.

Macaé não é diferente em nada do restante do Brasil, o município tem pontos que são mais favoráveis comparado com outros município e pontos desfavoráveis seguindo na mesma comparação. Como sempre escrevi por aqui, executivo e legislativo agiram tarde demais em todos os pontos e todas as ondas da pandemia, assim como grande parte do Brasil.  Então vamos pensar em alguns pontos que foram muito debatidos em Macaé. 

As barreiras sanitárias é a medida que causa um grande desconforto tanto para a população quanto para os servidores que lá trabalham. É o ponto mais fortes na estratégia de isolar o município. Utilizadas desde o prefeito Aluízio foi duramente criticada onde foi implantada e onde não foi. Nos três pontos da entrada da cidade Imboassica, Trevo dos 17 e Cabiúnas, foram mantidas por todo o período, enquanto os moradores da serra reivindicavam a instalação de barreiras em suas localidades. Despois de algumas semanas, ainda no governo Aluízio a população inicia um processo de crítica as barreiras, afinal os casos de contaminação continuavam, os índices de internações eram preocupantes e o de falecimentos ainda mais. 

Por outro lado grande parte das pessoas não cumpriam as determinações sanitárias imposta pelo governo e a politização da pandemia a nível nacional prejudicou muito o entendimento da pessoas. No geral as pessoas cobravam ações de combate a pandemia mas não cumpriam as determinações do decreto e da secretaria de saúde, era uma conta que não tinha como dar certo. Já no governo Welberth as barreiras voltam um pouco mais tarde, só que com 24 horas de atuação. Mas a má educação sanitária da população continuou, novamente a barreira apresenta resultados muito menores do que o esperado. Não por falha de operação das mesmas, mas pela circulação desnecessária da população interna de Macaé. Onde festas clandestinas de ricos e pobres só demostraram que não aprendemos nada. A população queria ganhar um luta sem entrar no campo de batalha e isso é impossível.

Os decretos que fecharam e abriram o comércio apresentaram resultados tímidos sempre algumas semanas depois de suas aplicações. Fechamentos graduais e aberturas também graduais eram entremeadas de períodos de fechamento total, tanto no governo de Aluízio, quanto no de Welberth. Os comerciantes sentindo a escassez de vendas e aumento de contas foram as ruas protestar. Sempre de forma desorganizada e errando na apresentação de suas demandas, mas sempre com o direito de reivindicar, só conseguiram sucesso recentemente. Após fecharem a Rua da Praia e a ponte da Barra menos de uma semana depois e no momento de maior índice de vitimas fatais, conseguiram a reabertura das lojas. Anteriormente os mesmos comerciantes chegaram a protestar em frente a casa do prefeito anterior e não conseguiram suas reivindicações até que os níveis de contaminação, internação e mortes caíssem. 

Criticas ao governo Welberth vieram de todas as partes que não eram do comercio, quando que, anteriormente as críticas só partiam dos agora contentes comerciantes. É fato que o prefeito precisa governar para todos e a minha critica a reabertura das lojas se dá pelo momento e não pela forma. E por fim no meio desta crise do comércio, o prefeito em sessão da Câmara muda a forma de se posicionar frente aos conselhos do comitê de municipal de combate a pandemia, antes ele seguia as decisões, agora a decisão final é dele.

Finalizando o artigo de hoje temos a grave crise de medicamentos para intubação. Crise nacional que não haveria como não refletir em Macaé. Licitações sem nenhuma empresa interessada, tentativas de  compras emergências que não foram feitas por ausência de fornecedores, como o prefeito mesmo mencionou: - Todas as licitações vem dando "deserto" desde o governo passado, para compra de medicações do chamado kit intubação. Os municípios vizinhos integram suas redes de informações na busca da compra pelas medicações, enquanto algumas cidades já estão sem estoque, poucas delas, no Brasil inteiro, conseguem ter estoque para um ou dois dias. Macaé ainda é uma delas.

Então concluo que o momento de agradar a uns e desagradar a outros ainda se dará por algum tempo. O executivo tem essa difícil missão por ainda alguns meses, felizmente o legislativo parou de querer fazer o papel de executivo e vem colaborando na velocidade das votações. Por aqui vou tentando praticar a empatia e chego a conclusão que é um dos piores momentos para ser chefe de executivo em qualquer lugar deste país, mas que chefiar é também delegar, para capacitados, as medidas necessárias onde todos sofram menos possível nestes dias difíceis.  





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