Politico de Macaé não respeita lugar na fila

Não há duvidas que a grande conquista a ser encalçada hoje em dia é a vacinação, não mais a vacina pois ela ou elas já foram aprovadas e outras mais ainda virão, mas de fato a vacinação, isto é, o ato de aplicar com a agulha o imunizante no corpo de uma pessoa. E atenção, pois nem mesmo o liquido dentro da seringa garantiu a vacinação. Foi terrível ver injeções de vento, de nada e até de soro fisiológico traficado como vacina para ricos que queriam "furar a fila utilizando seu suposto direto como dono do dinheiro". Assistimos a uma busca pelo registro da vacina sendo aplicada, não bastava apenas a foto, se não fosse filmado a pessoa não ficaria tranquila quanto a vacinação de seu parente ou familiar. Mesmo a passos absurdamente lentos a vacinação avançou, No caminho deste avanço, mentiras, noticias falsas, duvidas e mau exemplos tentaram fazer com que a população desconfiasse da eficácia da vacina. Vacina que nunca prometeu a cura e sim a imunização. 

Inevitavelmente toda busca gera uma espera até que se encontre o objetivo desejado, mas como falta oferta para tanta procura, é claro, uma fila se forma. E se engana quem acredita que a primeira fila formada foi nos postos de saúde para receber a sua dose de imunizante. Presenciamos varias filas antes desta ultima e certamente a mais importante de todas. A primeira delas foi para receber a matéria prima para fabricar o imunizante, logo depois, com os grandes laboratórios do mundo já avançados em suas pesquisas a fila foi para receber a autorização das agências de saúde pelo mundo para realizar os testes. Testes prontos nova fila para aprovação das vacinas, que por sinal tem laboratórios na fila até hoje. Início da produção e surge a maior das filas até então, são os países reservando as doses. Doses sendo produzidas e prontas para serem enviadas para todo o mundo se forma, então mais uma fila importante. Governo Federal, Estados, Municípios e iniciativa privada entram na poderosa fila para comprar a vacina. Mas nessa espera o Governo Federal faz valer seu poder de decisão e determina que todas as compras seriam apenas dele, e um plano de imunização nacional foi criado e junto com ela a maior e mais dolorosa fila da todas, a fila das pessoas em busca da cura.


Nesta última fila citada vou me prender a Macaé, como sempre faço por aqui. O município não teve escolha, deveria seguir o PNI (Plano Nacional de Imunização) elaborado pelo Ministério da Saúde que determinava que idosos, iniciando pelos mais velhos possíveis e profissionais da linha de frente da saúde deveriam receber as primeiras doses. Formada a fila iniciamos a vacinação municipal com as doses que eram repassadas do governo federal. Macaé seguiu bem na vacinação até que uma polêmica veio a público. Quem deveria estar na fila para receber as vacinas excedentes no final do dia? Pois os frascos abertos deveriam ser utilizados. Surgiram então as denuncias de fura filas, de favorecimentos, de desvios e até de venda de vacinas. Mas a essa altura nossa fila já estava confusa.

Imaginem que teve ate quem defendesse a suspensão da vacinação de idosos e  se vacinasse só os mais jovens. Realmente seria jogar no lixo todo o esforço que esses idosos fizeram para manter a sociedade funcionando enquanto nem éramos nascidos, quanta ingratidão por desejo de passar a frente na fila. Mas voltando a sobra das vacinas, realmente não tínhamos um plano. A secretária de saúde, se dizendo sem opções, ligou para os conhecidos, para que viessem receber as doses. Que azar dos coveiros, por exemplo, que não eram amigos da secretária. E seguimos empurrando, sendo empurrados e bagunçados em nossa fila, que como quase todas, não anda nunca e sempre parece demorar mais quando vai chegando a nossa vez. E quando o caos se instala fica parecendo que quem gritar mais alto leva, mas vacina não é feira e muito menos, como dizem hoje em dia, xepa. 

E quando tem muita gente em uma questão, os políticos adoram se meter. Vereador ligado a saúde pede preferencia para sua área, o da educação a mesma coisa, e o da segurança, etc. Os que não tem protetores contam apenas com a fiscalização popular que tenta controlar para que a fila não seja desrespeitada. Pelos lados do prefeito a tendência foi ouvir a todos, comercio, escolas, empresários, políticos entre muitos outros, criou até um comitê técnico para logo depois dizer, em plena sessão da câmara, que quem decide é ele. Foi dada a senha, seja amigo do prefeito ou então feche a rua da praia para conquistar seus demandas.

Fica a conclusão que nós, população de Macaé, devemos continuar vigilantes e garantir que o bom senso prevaleça sobre os interesses pessoais. De outra forma quem defenderá, coveiros, agentes sanitários, motoristas de ônibus, varredores de rua, agentes de limpeza...  ?

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