Um resumo do que foi a pandemia em 2020 no município de Macaé

    Não há saldo positivo depois de mais de um ano de pandemia. Perdemos todos e é tenebroso ficar discutindo quem perdeu mais ou menos. É uma disputa de quem sofreu mais, de que perdeu mais, de quem chorou, quem enlutou e quem morreu. Inconscientemente entramos em uma competição de quem é o maior prejudicado, quase que se esforçando para isso. E como já falamos por aqui, se o exemplo arrasta, inconscientemente alguns mergulham nesse poço de autoflagelamento, de imolação da sua moral, sua carreira e sua vida. O que mais me deixa assustado é que alguns outros fazem isso conscientemente, levando outros mais frágeis e tomarem atitudes que em estado mais equilibrado não tomaria. 

    A carreira, a empresa e a vida são ainda mais fragilizadas por atitudes depressivas/negativas em um momento de crise aguda como é a pandemia. E ninguém deve se usar como régua do mundo, ninguém deve entrar nessa corrida pela demonstração de maior sofrimento, de maior sacrifício. Famílias, comerciantes, empregados, jovens e idosos sofrem as consequências que lhes são próprias e  comparar um tipo de sofrimento com o outro é como comparar um poema com uma equação matemática, isso é, um não tem relação direta com a outra. 

    Vou tentar traçar uma linha do tempo dos principais fatos que envolveram Macaé desde fevereiro de 2020.

Na sexta feira 7 de fevereiro a prefeitura já distribuía os uniformes escolares, o CAP já havia realizado sua aula inaugural e o pré vestibular social já anunciava o fim das inscrições. O Carnaval acontece de forma natural e com o suporte normal da prefeitura, Inclusive com bailes para a terceira idade no CCI. A primeira morte por Covid no Brasil só aconteceria no dia 12 de março. No dia 27 de fevereiro uma paciente de 22 anos deu entrada na Unimed com sintomas de Covid.

Já em março de 2020 o prefeito Aluízio reuniu  os diretores de escola na cidade universitária e informou das medidas de prevenção que os mesmos deveriam ter nas escolas.  Logo depois faz a mesma reunião com diretores das escolas particulares. O decreto 27 proibia a aglomeração de mais de 100 pessoas e a semana de matemática foi suspensa. E no dia 13 de março as aulas são suspensas, a principio por 15 dias, mas sabemos que até hoje não retornaram. O Jorge Caldas se transforma em centro de referência e a grande maioria das ações se voltam para o combate a pandemia. No dia 20 de março o comercio não essencial é fechado. No dia 22 é autorizada as barreiras sanitárias. e no dia 27 a prefeitura envia para a câmara o projeto do bolsa alimentação, ao mesmo tempo em que o primeiro caso é confirmado em Macaé. 

Abril de 2020 marcou pelo primeiro óbito na cidade, registrado no dia 6. O mês de abril é marcado pelo avanço da pandemia na cidade e a desorganização para o pagamento do bolsa alimentação aos alunos da rede pública.  O uso de máscaras passa a ser obrigatório. No dia 16 o prefeito testa positivo para Covid. No dia 24 é decretado estado de calamidade. Comércio não essencial e aulas continuam sendo suspensas a cada semana a medida que cada decreto é promulgado. Abril termina com dez óbitos. 

Maio de 2020 é marcado pelo fechamento da orla, exoneração de servidores que participam de festa clandestina e redução dos vencimentos de prefeito e secretários em 10%.  Os decretos continuam prorrogando o fechamento do comércio e das aulas. O Mês termina com 30 óbitos.

Em junho de 2020 alguns setores do comércio são flexibilizados e a prefeitura inicia uma série de testagens de servidores e comerciantes, além da população em pontos específicos. É lançado o covidímetro que começa a ser utilizado no dia 19. O mês fecha na faixa laranja e com 78 casos fatais.

Julho de 2020 é marcado pelas testagens em empresas e pela dificuldade em pagar o auxilio alimentação, dificuldade que sempre existiu e existe até hoje. E no fim do mês o comércio de rua volta a funcionar parcialmente. O município volta a faixa amarela e totaliza 115 mortes.

Agosto de 2020 aparenta um maior tranquilidade com comércio aberto e escolas ainda fechadas. Aulas apenas virtuais. O Hotel de Deus, já sem idosos, passa a acolher a população de rua. A faixa é verde e são 132 mortes por covid.

Setembro de 2020 amplia a abertura para todo o comércio, apenas as aulas e alguns setores da prefeitura permanecem fechados. O que marca mesmo o mês são as obras da BRK fechando várias ruas da cidade e o insolúvel problema de  cadastro e pagamento de auxílios emergenciais. O mês fecha na faixa verde com 146 óbitos.

Outubro marca o primeiro pedido de vacinas da prefeitura ao instituto Butantan, são solicitadas 500 mil doses. As testagens nos bairros retornam. A faixa ainda é verde e são 171 casos fatais. 

Novembro passa quase que sem notícias oficiais em relação a pandemia, provavelmente devida a eleição, onde as medidas de proteção foram ignoradas por quase todos os candidatos e eleitores. O mês fecha em bandeira amarela e com 188 mortes.

Por fim chegamos a dezembro de 2020. A prefeitura inicia o processo de pré matrícula para o ano seguinte. Chegou a ser anunciado que as vacinas do Butantan chegariam em janeiro, mas o governo federal centralizou e monopolizou as compras. O mais importante decreto do mês foi a proibição de qualquer evento de festa de fim de ano em local público. As praias foram fechadas e um esquema de fiscalização foi colocado nas ruas. O ano fecha na faixa amarela com 232 óbitos.

    Neste pequeno resumo fecho um balanço de 2020 e do governo Aluízio na pandemia. Certamente entrarei na análise do governo Welberth nos próximos dias.


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