Eduardo Cardoso Gonçalves da Silva (1950 - 2021)


  

Hoje faleceu um político de referência na história do município de Macaé. Eduardo Cardoso Gonçalves da Silva foi mais do que um político do seu tempo, foi também uma referência política na região. Eu vou passar longa da ideia de após a morte de uma pessoa pública, transforma-la imediatamente em santo ou pecador, esse papel não cabe a mim nem a ninguém, esse é um papel que apenas o tempo pode cumprir com perfeição. E apenas a história deixará registrado o significado de sua passagem aqui pelo planeta Terra. 

    Longa carreira profissional e política igualmente relevante nas duas. Como médico, servidor e, por muitas vezes, voluntário na "Casa de Caridade" de Macaé, hoje Hospital São João Batista. Ainda na década de 80 já trabalhava no atendimento ao público e no início dos 90 já era servidor público e logo depois vereador eleito.

    Sua carreira política teve início em decorrência de sua atuação como médico obstetra. Realizou o parto de um número incontável de macaenses e atendeu outras tantas mães que precisaram de sua ajuda. Chegando a vida pública se manteve popular e acessível.  Foi governo, foi oposição, foi secretário, presidente de fundação e presidente da Câmara. 

    Não vou relatar fatos específicos ou ensaiar uma biografia (que deveria ser feita por alguém próximo), mas quero trazer minhas impressões sobre a vida pública de Dr. Eduardo.  Sua longa carreira política poderia ter deixado o experiente político como um retrato antigo do homem que nasceu na década de 1950, mas não o deixou assim. Nós que estamos acostumados a ver conservadores ocupando posições de poder, não foi o que a experiência trouxe a Eduardo. Quando oposição a Silvio Lopez foi contundente e aguerrido, quando governo em Riverton e Aluísio foi fiel e dedicado. É certo que em diversos momentos eu e milhares de pessoas discordamos de suas posições, mas, quase em igual número de oportunidades, concordamos com suas ações e decisões. 

    Sua postura como secretário e parlamentar sempre foi de diálogo. Aberto a ouvir na mesma proporção de que colocava suas convicções, colecionou um número maior de admiradores do que detratores. Jamais se prendeu ao formalismo do cargo de presidente da Câmara. Quebrou o formalismo das sessões muitas vezes ou falando do seu flamengo ou contando casos pitorescos de Macaé. 

    Uma de suas muitas frases era de que não era um parlamentar "palaciano", isto é, de frequentar o poder executivo como hábito. E a prova disso foi que todos sabiam onde encontra-lo. Estava quase todas as manhãs na orla de Imbetiba. 

    Presidente de partido e ativo participante da política regional e nacional, não deixava de dar sua opinião e análise sobre os principais fatos que mexiam com o município e o Brasil. E, como já relatei, passou longe de ser um conservador. Bom estrategista, sempre organizou seu partido para que tivesse representação municipal, colaborou muito para eleição do atual prefeito e ainda antes nas eleições estaduais. 

    Sei que alguns vão questionar do porque não falei em problemas ou porque não analisei os dois lados, mas a resposta é simples, todas as questões deste mundo ficam aqui. E como o mesmo Eduardo diria, se referindo ao flamengo: A partir de hoje ele está em outro patamar. 

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