Hoje faleceu um político de referência na história do município de
Macaé. Eduardo Cardoso Gonçalves da Silva
foi mais do que um político do seu tempo, foi também uma referência política na
região. Eu vou passar longa da ideia de após a morte de uma pessoa pública, transforma-la imediatamente em santo ou pecador, esse
papel não cabe a mim nem a ninguém, esse é um papel que apenas o tempo pode
cumprir com perfeição. E apenas a história deixará registrado o
significado de sua passagem aqui pelo planeta Terra.
Longa carreira profissional e política
igualmente relevante nas duas. Como médico, servidor e, por muitas vezes,
voluntário na "Casa de Caridade" de Macaé, hoje Hospital São João
Batista. Ainda na década de 80 já trabalhava no atendimento ao público e no início
dos 90 já era servidor público e logo depois vereador eleito.
Sua carreira política teve início
em decorrência de sua atuação como médico obstetra. Realizou o parto de um número
incontável de macaenses e atendeu outras tantas mães que precisaram de sua
ajuda. Chegando a vida pública se manteve popular e acessível. Foi governo, foi oposição, foi secretário, presidente de fundação e
presidente da Câmara.
Não vou relatar fatos específicos ou ensaiar uma biografia (que deveria ser
feita por alguém próximo), mas quero trazer minhas impressões sobre a vida pública
de Dr. Eduardo. Sua longa carreira política poderia ter deixado o
experiente político como um retrato antigo do homem que nasceu na década de
1950, mas não o deixou assim. Nós que estamos acostumados a ver conservadores
ocupando posições de poder, não foi o que a experiência trouxe a Eduardo.
Quando oposição a Silvio Lopez foi contundente e aguerrido, quando governo em
Riverton e Aluísio foi fiel e dedicado. É certo que em diversos momentos eu
e milhares de pessoas
discordamos de suas posições, mas, quase em igual número de oportunidades,
concordamos com suas ações e decisões.
Sua postura como secretário e
parlamentar sempre foi de diálogo. Aberto a ouvir na mesma proporção de que
colocava suas convicções, colecionou um número maior de admiradores do que
detratores. Jamais se prendeu ao formalismo do cargo de presidente da Câmara.
Quebrou o formalismo das sessões muitas vezes ou falando do seu flamengo ou
contando casos pitorescos de Macaé.
Uma de suas muitas frases era de
que não era um parlamentar "palaciano", isto é, de frequentar o poder executivo como hábito. E a prova
disso foi que todos sabiam onde encontra-lo. Estava quase todas as manhãs na
orla de Imbetiba.
Presidente de partido e ativo
participante da política regional e nacional, não deixava de dar sua opinião e
análise sobre os principais fatos que mexiam com o município e o Brasil. E,
como já relatei, passou longe de ser um conservador. Bom estrategista, sempre
organizou seu partido para que tivesse representação municipal, colaborou muito
para eleição do atual prefeito e ainda antes nas eleições estaduais.
Sei que alguns vão questionar do
porque não falei em problemas ou porque não analisei os dois lados, mas a
resposta é simples, todas as questões deste mundo ficam aqui. E como o mesmo
Eduardo diria, se referindo ao flamengo: A partir de hoje ele está em outro
patamar.

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