Como a campanha eleitoral influencia no governo eleito

       


É um caminho natural em todo o processo das eleições a pré-campanha, a campanha propriamente dita, a transição e o início de governo. Esse processo é um resultado das modernizações que as leis eleitorais trazem para a sociedade. E foram muitas as mudanças, desde o voto censitário ao sufrágio universal que nos aproximamos hoje, Sem entrar em muitos detalhes uso a expressão "que nos aproximamos hoje", por entender que ainda não vivemos um processo livre e democrático, pois falta muita liberdade em nossa democracia e vou explicar rapidamente o porquê desta ausência. Nosso voto é obrigatório e deveria ser facultativo, os candidatos precisam estar filiados a um partido político e o sistema de apuração proporcional deveria ser substituído pelo voto distrital. Vou me deter apenas no porquê do voto distrital nesse momento, prometo voltar nos outros pontos em novo artigo. No atual sistema de voto proporcional, na maioria dos casos, perdemos a representatividade local. Vou usar um exemplo próprio de Macaé. Quando o atual prefeito de Macaé, Welberth Rezende, ganha a eleição e deixa a Alerj, quem assume seu lugar é Noel de Carvalho ex prefeito e com base eleitoral em Resende, desta forma o município de Macaé perdeu muita representatividade a nível estadual. Por essas e outras que afirmo que nossa democracia ainda tem defeitos que devem ser ajustados.

    Voltando a Macaé quero analisar os resultados da campanha no governo municipal. Passada a pré-campanha e toda a especulação que a cerca tivemos a coligação vencedora com os seguintes partidos: Cidadania, Podemos, Rede, PROS, PCdoB, PV e PSDB. Sendo Welberth do Cidadania como prefeito e Celio Chapeta do PSDB como vice-prefeito. Naturalmente integrantes destes partidos ocuparão cargos no governo municipal pois contribuíram de várias formas para essa vitória eleitoral.

    O tempo de campanha aumenta ou diminui de acordo com número de partidos na coligação e esse tempo é muito importante para alcançar os eleitores. A verba de campanha também aumenta, pois, cada partido trás sua cota para a coligação. Um ator muito importante destas coligações é que os candidatos a vereador passam a ser também elementos importantes na conquista de votos dos candidatos a prefeito, mesmo nessa nova regra, onde os partidos não se coligam na disputa pelas vagas na Câmara Municipal. Claro que isso não é uma regra, mas as coligações para prefeito deixam muito bem direcionada qual será a escolha do candidato a prefeito do candidato a vereador. 

    Com a vitória da coligação liderada pelo Cidadania em Macaé pudemos observar claramente esse movimento político de formação de uma nova administração baseada na campanha que terminou e isso, volta a dizer, não é um problema. O problema é quando a nomeação não atende a dois principais critérios, competência e interesse público. Notem que deixei a impessoalidade de lado, pois esse processo de nomeação para cargos comissionados é absolutamente pessoal.

    Entre os candidatos do Cidadania vou destacar Alan Mansur que se elegeu vereador e se torna um aliado do prefeito de forma natural e esperada, é claro que essa aliança pode representar indicações de nomes para cargos do primeiro escalão (secretários e sub secretários), até nomeações de cargos comissionados mais inferiores.  Particularmente não vejo problemas se seguir os critérios que já mencionei, e até porque, é impossível para o prefeito pessoalmente nomear todos os cargos da administração pública. Amarildo dos Santos foi para a secretária de cultura, Cristiano Gelinho, ex vereador, teve a candidatura impugnada por ter condenação criminal, mesmo assim foi nomeado Secretário adjunto de trabalho e renda, mas dois meses depois deixou o cargo por notificação extrajudicial do ministério público. Já deixo o aviso, nomear quem cumpriu pena não é problema, mas no caso do ex vereador ele ainda estava cumprindo a pena. Dilson Jordão recebeu cargo na secretária adjunta de serviços públicos, Luiz Fernando ficou como secretário de Agroeconomia, Marcio Bittencourt recebeu a direção do pronto socorro municipal, João Carvalho do Social recebeu cargo na secretaria de Infra Estrutura, Jô Joserferson que é servidor se tornou secretário de adjunto da Defesa Civil, Michele Souza recebeu cargo na secretaria de Atenção Básica, Paula ou Maria Santos Romão recebeu cargo na secretaria adjunta de Atenção Básica, Paulo Cesar PC também recebeu cargo na Atenção Básica, Sebastião Carneiro recebeu o cargo de Secretário Ajunto de Patrimônio, Solimar Silva que é servidor recebeu um cargo de chefia no transporte e Sônia Paula recebeu cargo na secretaria adjunta de Atenção Básica.

    Isso para ficar apenas no partido do prefeito, se eu fosse listar os candidatos do Podemos, Rede, Pros, PCdoB, PV e PSDB que receberam cargos a listagem seria longa e cansativa. Mas já podemos entender porque e como um governo se forma. Evidente que essas nomeações não são ilegais e muitas delas são bastante adequadas, mas por outro lado apresenta uma amarra que pode deixar a administração menos dinâmica, como, apenas por exemplo, um aliado de campanha que não faz um bom serviço no cargo público mas permanece nele por mais tempo do que o necessário porque laços de campanha foram criados e são mantidos por mais tempo do que o necessário para o bem do serviço público.

    Cabe ao prefeito e aos seus administradores diretos identificar esses problemas e manter o serviço público funcionando de forma eficiente para atender a população. Portanto não sou contra essas nomeações, mesmo entendendo que todos os cargos deveriam ser ocupados por concursados e que os cargos em comissão deviriam deixar de existir, sou contra a ineficiência e o mau uso do dinheiro público por compromissos eleitorais.    

 



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