Presidente da Câmara declara apoio político em plena sessão

 


Hoje estava acompanhando a sessão da Câmara de Macaé e mais uma vez ouvi consternado a declaração de apoio político e consequentemente o voto de Cesinha no atual Deputado Estadual Chico Machado. Sei que mencionar esse fato e os nomes dos protagonistas aqui pode parecer que a intenção de Cesinha tenha obtido sucesso, isto é, conseguiu divulgação do fato e espaço na mídia, mas realmente não posso deixar de escrever o que penso e muito menos deixar de citar nomes, quando o assunto se refere a pessoas públicas.

  A declaração de apoio/voto em plena sessão ordinária não é nenhuma novidade, praticamente todos os vereadores em todas as legislaturas que acompanhei já agiram desta forma. Direita, esquerda e centro, isto é, todas as vertentes políticas, incluindo oposição, situação e independentes, já realizaram essa prática que acredito ser inadequada. E são vários motivos que me levam a ter essa forma de análise.

    A primeira e mais direta é a clara e efetiva conclusão de que o vereador presidente não foi eleito pela população e nem por seus pares para ter esse tipo de atitude. É praticamente intuitivo que político eleito tem a fundamental missão de representar a vontade das pessoas e não as suas próprias. Portanto em quem o político eleito vota não deve ser dito em seu ambiente formal de trabalho, como é a sessão da Câmara. É absolutamente normal que o chefe do legislativo tenha suas preferências, suas alianças e sua intenção de voto, mas levar essa opinião pessoal para o momento em que ele diretamente representa a sociedade e comanda um poder é muito inadequado. Esse tema deve ficar restrito a sua vida particular ou suas ações partidária e de campanha. Sem perder o foco neste tema, demais vereadores, assessores, prefeito, secretários e demais servidores públicos, também devem reservar suas manifestações públicas durante seu trabalho, apenas para atos de seu ofício. 

    O segundo motivo pelo qual essas manifestações precisam ser evitadas é para manter a harmonia e imparcialidade necessária para se comandar um poder municipal. Da mesma forma que um vereador, é vereador de toda a população e não apenas de quem votou nele, Cesinha é presidente de todos os vereadores, e as manifestações políticas pessoais podem levar a uma instabilidade desnecessária para o bem público. Basta que outro vereador declare, também de forma equivocada, apoio a um outro candidato durante a sessão, e que esse outro candidato seja um adversário político do candidato do presidente. Basta um desacordo em uma votação para que essa divergência seja ainda mais encrespada e ainda mais grave, caso um vereador seja diretamente candidato a Deputado Estadual e tenha se sentido desprestigiado com o posicionamento do presidente. Pronto, mais um clima de disputa desnecessária em uma sessão da Câmara. Por mais que durante a sessão todos exaltem a beleza da democracia e a pluralidade de ideias, nem sempre nos bastidores é assim que acontece.

    E finalmente e nem por isso menos grave, a utilização de uma posição de poder para influenciar as pessoas é muito perigosa. Até entendo que todos podem e devem ter suas preferências políticas, mas quando a posição é colocada por um chefe de poder, mesmo que circunstancial, ela pode distorcer o ambiente democrático. Quando um chefe de qualquer um dos poderes declara de forma tão antecipada e tão fora do lugar ideal qual é a sua preferência assessores, servidores, funcionários, empresas prestadoras de serviço, fornecedores e demais segmentos da sociedade quem tem relações com esse chefe de poder podem se sentirem desconfortáveis em discordar da posição do chefe. E como essa manifestação acontece de forma tão antecipada, a possibilidade de identificar reações e traçar estratégias políticas é muito maior.

    Por fim lamento muito que essa prática seja comum em Macaé, continuo esperando pela mudança não só dos nomes mas também das práticas.

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