O que a princípio se pode imaginar como um ato estritamente administrativo, que é uma reforma administrativa, na prática é muito mais do que isso. Além da possibilidade de dar uma forma personalizada ao poder executivo, é um ato que pode ajustar serviços municipais e, porque não, dar espaço a todos que apoiaram a eleição do atual prefeito. E vou explicar meu ponto de vista sobre esses pontos.
A forma
personalizada que um governo pode apresentar é como cria suas Secretárias, Subsecretárias,
Coordenadorias etc. Por exemplo na reforma administrativa do governo Welberth
foi criada as Secretária de Igualdade Racial, tema que em alguns governos
tinha, no máximo, o status de Coordenadoria. Como foi no governo Aluízio.
Os serviços municipais podem
ser melhorados em uma reforma administrativa, pois quando um tema recebe a
forma de secretária, ele pode, e muitos casos, ter acesso a programas estaduais
e federais de investimentos. É assim com a Mobilidade Urbana, que recebe verbas
e tem acesso a fundos financeiros por ter convênios diretos com governo federal
e estadual.
Já entrando no
aspecto político, a reforma administrativa é a oportunidade de dar espaço aos
agentes políticos que participaram da campanha vencedora nas eleições. E sempre
deixei claro que, na minha opinião, não vejo problemas em nomeações políticas e
sim em nomeações incompetentes ou até criminosas.
Muitas pessoas
defendem que a política deveria ficar de fora da administração pública, é uma
forma de pensar que possui lógica, mas está fora da realidade política do
Brasil. Sou totalmente a favor de que se entre no serviço público apenas por
concurso mas vivemos, felizmente, uma realidade democrática onde podemos eleger
nossos representantes em todos os níveis da administração pública. E é por isso
que a constituição permite que chefes de executivos eleitos escolham seus
secretários livremente, além de seus assessores diretos e volto a dizer, isso
não é um problema. O problema são secretários e assessores incompetentes ou
criminosos.
O ponto que uso
para validar as nomeações no serviço público é que administrações públicas
precisam de equilíbrio. Imaginem um prefeito que ganhou uma eleição onde toda a
máquina administrativa apoiou o candidato derrotado. Em tempos tão polarizados
seria um grande problema para o serviço público. E uma guerra política interna
onde a população ficaria prejudicada.
No aspecto
financeiro uma reforma administrativa tem três possibilidades muitos simples.
Ela pode manter tudo como está, o que, na prática, não teria sentido de
existir. Ela pode aumentar as despesas públicas ou pede diminuir as despesas
públicas.
No caso de
aumentar as despesas é preciso analisar a realidade do munício. E como tratamos
de Macaé podemos afirmar que vivemos um momento de aumento de receita. Por isso
os serviços devem acompanhar esse aumento de despesas, que na verdade são
investimentos, nos serviços públicos. Criar secretárias, criar funções
gratificadas, realizar mais licitações são práticas que fazem todo o sentido
quando um município tem aumento em suas receitas. Mas a valorização dos
servidores deve seguir na mesma proporção. Pois seria uma distorção da
administração pública não crescer em investimentos em todas as áreas, incluindo
os servidores.
Já reduzir
despesas em um momento de alta de arrecadação é total prova de descaso com a
população, pois o caixa municipal não é uma empresa, isto é, não tem que dar
lucro. Todo o dinheiro que entra nos cofres públicos deve ser
utilizado, o mais rapidamente possível, em benefício da população. Seja em
obras, financiamentos, parcerias, modernização e valorização dos servidores.
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