Sempre
fui a favor do instrumento da reeleição, principalmente porque é uma
oportunidade de um bom político continuar o seu trabalho. Sabemos que a
reeleição é um novo processo eleitoral e que políticos que chegam ao primeiro
mandato precisam novamente passar pela avaliação popular quatro anos depois. No
executivo presidente, governadores e prefeitos tem uma longa tradição em ter
sucesso na reeleição. Raros são os casos como o e Marcelo Crivela que foi
prefeito do Rio de Janeiro e perdeu a reeleição em 2020 para Eduardo Paes.
Acertadamente a legislação eleitoral
proíbe um terceiro mandato consecutivo para o executivo, pois desta forma evita
que uma espécie de "ditadura eleitoral" se estabeleça. Vejam os
casos de lugares onde a reeleição para presidente é ilimitada: Turquia,
Nicarágua, Venezuela e Hungria. Certamente não são casos de sucesso no
desenvolvimento do país, pois o principal objetivo destes políticos é continuar
no poder.
No legislativo as
reeleições são ilimitadas. E isso é permitido pela legislação pois existe um
entendimento democrático que, mesmo que um legislador consiga diversas
reeleições, ele sozinho, não consegue dominar politicamente um país, um estado
ou um município, pois as câmaras legislativas existem, justamente, para garantir
a diversidade da população.
Em Macaé, desde o
início da possibilidade de reeleição do prefeito, o ocupante do cargo sempre se
reelegeu. Silvio Lopes, Riverton Mussi e Aluízio Junior. O desafio agora fica
com Welberth em manter essa tradição ou não. Destes três prefeitos citados dois
já tentaram voltar a vida pública e não tiveram sucesso. Silvio e Riverton
enfrentaram problemas na justiça eleitoral e nas urnas. Pois nenhum deles
conseguiu votos suficientes para ganhar uma nova eleição. Seja para prefeito ou
seja para vereador. Aluízio terá esse ano a primeira oportunidade de disputar
uma eleição depois de ser prefeito de Macaé, mas ainda não está claro se ele
será candidato ou não.
No atual momento já temos o ex prefeito Riverton em plena campanha para
deputado e ao mesmo tempo lutando para recuperar seus direitos políticos. Junto
com ele e recém filiado ao PDT está Paulo Antunes que já foi deputado estadual
e diversas vezes vereador e além de presidente da Câmara. Mas tivemos um filtro
importante na última eleição para vereador de Macaé. Nomes tradicionais da
política não conseguiram se reeleger e esse filtro deve ser olhado com atenção.
Por muitas eleições, principalmente
durante a campanha, se ouve a expressão "troca tudo",
"renovação" dentre outras que propões caras novas na política. E
essas manifestações são sempre boas, pois a renovação é um pilar democrático.
Não falo da renovação a qualquer custo, a qualquer preço, mas a renovação
construída através da politização e envolvimento da sociedade.
Macaé vem
deixando nomes tradicionais de fora nas últimas eleições. Em 2008 nomes
tradicionais perderam a eleição para vereador Waldeci Brandão, Gilso Machado e
Mirian Reid. Em 2012 ficaram de fora Mirinho, Antônio Franco e Nélio Noch.
Em 2016 Lúcio Mauro. Em 2020 Luiz Fernando, Julinho do Aeroporto, Marcel
Silvano e Paulo Antunes. A não eleição de nomes tradicionais mostram um
desgaste natural da vida pública destas pessoas. E é nesse ponto que eu quero
chegar.
É natural que
essa renovação aconteça e que novos nomes surjam no meio político. Essa
renovação é importante para que a representatividade continue sendo diversa,
múltipla e democrática. Imaginem se apenas médicos sempre ganhassem as eleições
para vereador? Certo que se isso acontecesse eles não ficariam apenas
legislando sobre seus temas afins, certamente debateriam sobre tudo, mas a
representatividade estaria prejudicada, pois 17 médicos não representam a
sociedade de Macaé na forma em que ela se apresenta nas ruas. Por isso a troca
dos nomes apresenta a necessidade de representatividade de diversos grupos que
formam a sociedade macaense. Continuar com os mesmos nomes é continuar com as
mesmas representações.
É justamente por
esse motivo que pré-candidaturas como Riverton e Paulo Antunes não podem ser encaradas
como novas, como promessas ou como esperança. São continuístas e, se
receberem votos, que sejam por essa característica principal e não com o
discurso do novo ou do resgate de um passado glorioso que nunca existiu.
Também não
podemos aceitar que não existam bons nomes para nos representar, pois eles
existem. Com mandato ou sem mandato. É certo que teremos nomes de qualidade
para as próximas eleições e um parâmetro que não deve ser considerado como
principal é tradição do nome. Nem sempre tradição é significado de um bom
passado, nem sempre um nome muito conhecido é sinônimo de competência e quase
nunca fama é qualidade política.
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