Pode parecer um pouco óbvia a afirmação de que não vale tudo na política. Acreditamos que o bom senso, a moral e a ética, sem precisar mencionar a lei, sejam a base da atuação de quem exerce um mandato eletivo. Mas a pergunta que faço no título deste artigo é para provocar uma análise mais profunda sobre a forma de se atuar na política, e porque não, uma forma mais mais comprometida com os resultados.
Eu sempre costumo
dizer que a vida pessoal de um político, eleito ou não, como a vida pessoal de
qualquer pessoa não me diz respeito. Excetuando-se as pessoa próximas que me
concederam a oportunidade de ser um amigo ou parente próximo e íntimo, nada
fora disso deve ser relevante pra mim. Só que tudo na vida, principalmente a
vida política, não é feita de respostas tão simples assim.
Natural a afirmação de que o que faz um político em sua vida
pessoal não nos diz respeito, mas essa afirmação não pode ser tão ampla e
definitiva quanto parece. Existem alguns pontos da vida privada de um político
que devem importam sim, que devem ser revelados e principalmente avaliados. Um
exemplo bem simples é uma pessoa que comete atos criminosos e quer entrar na
vida pública. Os atos criminosos que ele cometeu ou comete em sua vida privada
devem ser revelados e principalmente punidos. Mas quando falamos de religião,
sexualidade, origem étnica entre outros aspectos íntimos ou familiares, nada
disso é realmente importante.
Só que, ao
contrário disso, a vida pessoal, íntima, particular de uma pessoa passa a ser a
medida do bem ou do mal na vida pública. E destruir essa vida pessoal passa a
ser a primeira ação de grupos detestáveis que se especializaram em destruir
reputações, expor a vida íntima e covardemente iniciar um
julgamento público sobre um fato ou uma ação que nunca deveria ser importante.
Para usar de exemplo: o importante deveria ser qual o plano ou quais foram as
ações do político em relação a porcentagem do orçamento que deve ser usado na
saúde e não se o personagem político já fez procedimento estético em clínica
particular.
Chegando a Macaé,
não importa muito o passado político das pessoas e sim se ele pode destruir o
que o político que eu não gosto fez, ou quer fazer. São muitas contradições em
nosso cenário. Grupos que combatem ferozmente candidatos condenados, que combatem
a corrupção, que defendem a ficha limpa, dizem abertamente apoiar Riverton
porque ele é uma pessoa bacana. Onde vamos parar se essa prática for a
dominante? Certamente jamais sairíamos do lugar.
Blogs, portais e
perfis na internet que combatem ferozmente os governos quando chegam as denúncias
da população, pegam carona em personagens polêmicos só para manter seu feed de
notícias atualizado. Se o personagem é polêmico é certeza de espaço e
divulgação.
Velhos personagem
da política, derrotados em eleições passadas, tem todo o direito de tentar
voltar a vida pública, mas não cabe em seus discursos de que agora vão
fazer melhor, vão fazer isso ou aquilo. Eles já estiveram por décadas em cargos
eletivos, o momento deles é de mostrar o que fizeram.
E temos mais. As
acusações sem provas são lugar comum nos debates políticos. Chamam quase todos de
corruptos, vagabundos e que enriqueceram ilicitamente. Mas quando seus
políticos preferidos recebem as mesmas acusações os acessos de raiva em rede
social chegam a ser ridículos. Acusa-se sem provas alegando a liberdade de
expressão, mas não há liberdade de expressão quando se pratica o crime de
calúnia ou difamação, ou até mesmo racismo e discriminação.
Vi recentemente alguns fatos em meu perfil no facebook que me fizeram
pensar bastante. Quando escrevi que Cesinha teve boa ação política ao se
reeleger presidente da Câmara recebi muitas críticas e quase todas dizendo que eu estava elogiando o vereador e que o vereador possuía diversas críticas e
acusações e que recentemente a presidente do Sindservi havia dado queixa dele
na delegacia. Tudo revela uma grande vontade de algumas pessoas em destruir
reputações. Mas quero deixar claro, se um político tem praticas ruins ou
criminosas deve realmente deixar a vida pública imediatamente, mas pelos
motivos verdadeiros e legais. Cesinha foi competente politicamente em sua
reeleição. Primeiro porque antecipou a mesma em mais de 8 meses e venceu com 16
votos a zero. Na eleição anterior que ele havia ganho por 8x7. Se isso não é
uma boa prática política para reeleição, eu não sei mais o que é. Quanto a
queixa na delegacia, volto ao tema, cabe a quem acusa o ônus da prova e não que
foi acusado a provar sua inocência.
Já todos as
críticas, duvidas e questionamentos devem ser sempre colocados de forma clara e
principalmente produtiva. Pois ficar escrevendo em rede social ou falando em
conversa com os amigos que certo político é bandido, que não vale nada, entre
outras coisas do gênero em nada vai mudar o estado das coisas. Quando um
político erra ou segue por um caminho que os eleitores ou mesmo a população não
concorda as cobranças devem ser específicas e diretas. Se o questionamento é
válido e o político é inteligente ele aprende e muda. Mas se não for ele se
fecha, acusa seus opositores, insiste no erro e pega uma ladeira direta para o
isolamento.
Por fim é
importante deixar claro que o político, seja vereador, deputado ou presidente
não é um ser humano especial, ser eleito não o torna mais inteligente ou mais culto.
Ele deve ser cobrado como qualquer funcionário de qualquer empresa é cobrado
por seu chefe. Ele precisa dar resultados produtivos. Ser eleito não é ascender
na vida e participar de uma elite social. Ser eleito é assumir
responsabilidades, abrir mão de seu tempo para cuidar da vida de todos. Depois
de ser eleito, o sucesso em seu mandato está diretamente ligado a continuidade
da sua vida pessoal e do seu caráter profissional. E isso quase sempre se torna
uma verdade. Quem tem uma vida pessoal incompatível com as reais necessidades
de um mandato, se torna um político ruim, distante e improdutivo, mesmo que se
eleja e se reeleja por décadas.

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