O movimento sindical dos servidores municipais de Macaé.

     

 Sempre procuro escrever, aqui no blog, sobre o assunto que considero mais importante da semana que passou. E quase sempre me prendo a apenas um tema. Certamente essa semana a política de Macaé viveu temas muito interessantes como a seleção pública, a declaração de voto de alguns vereadores, problemas na justiça eleitoral com ex vereador, no caso Maxwell Vaz e Comissões Especiais de Inquérito. Mas vou me prender ao ato e movimento político / sindical do Sindicato dos Servidores de Macaé, o SINSERVI.

    Desde a eleição de Welberth Rezende e mesmo antes de sua posse em primeiro de janeiro, esse tema já era presente quando se falava nas prioridades do novo governo. Após 7 anos sem reajuste e com uma liderança sindical frágil e sem avançar em nenhum ponto nos últimos sete anos a expectativa para 2021 era alta. Mas um novo prefeito com a antiga e velha presidência do sindicato não produziu um resultado diferente.  Com mais uma barreira criada por lei federal o ano de 2021 somou mais um ano a falta de reajuste dos servidores em conjunto com a imobilidade sindical da direção do SINDSERVI.

    O ano de 2022 tem início com expectativas ainda mais altas e que se transformam em tensões ainda mais fortes. A necessidade de mudança e avanço salarial já deixava de ser uma questão técnica e política e, nesse ano, se transformou em uma necessidade de sobrevivência. Sobrevivência ainda mais dura para parte de servidores que recebiam salário base abaixo do salário mínimo. 

    Ainda no fim de 2021 vereadores falavam em antecipação da data base dos servidores, que deixaria de ser em maio e seria antecipada para janeiro. Mas isso não aconteceu. O prefeito falou em recuperar perdas e em dar o maior reajuste possível e assim se passou janeiro e fevereiro trouxe a eleição para presidência do sindicato. 

    O processo eleitoral no Sindservi foi intenso e desgastante, tanto para os concorrentes quanto para os filiados. Mas apresentou aspectos positivos politicamente. Os candidatos tiveram espaço nas rádios de Macaé e o debate tomou as redes sociais dos servidores. Um ponto muito positivo e que deve servir de exemplo para outras eleições não apenas sindicais, foi a presença da Federação Estadual dos Servidores que comandou o processo de votação e apuração. O processo eleitoral terminou e a parte perdedora não procurou desqualificar os vencedores e nem judicializou o processo. A disputa ficou apenas para o momento de campanha.

    Com a nova direção eleita o Sindservi passou a encarar novos desafios imediatos e a longo prazo. Mas desta vez vou ficar apenas nos desafios mais urgentes. E o mais urgente deles é o reajuste dos servidores que não acontece a quase oito anos. A ex presidente do Sindservi, em entrevista para uma rádio, antecipou que o reajuste seria de 5%. Imediatamente se iniciou uma reação para a divulgação de um índice tão baixo depois de tanto tempo sem, ao menos, a reposição da inflação. Já com a nova direção atuando o índice de 5% foi confirmado oficialmente pelo governo municipal e as rodadas de negociação começaram.

    Estas rodadas de negociação estão sendo intercaladas com manifestações presenciais e em redes sociais. A mais importante e que mais repercutiu foi na sessão de terça dia 29 de março. Com uma boa capacidade de mobilização o Sindservi lotou a câmara municipal. Os servidores se manifestaram em diversos momentos durante a votação em primeiro turno da proposta de reajuste. Passou informações, cobrou e informou aos vereadores durante a votação. A presidente Miriam fez tudo que se espera de um presidente de sindicato. Liderou os servidores, apresentou as pautas, justificou as reivindicações dos servidores, apresentou saídas e possibilidades. 

    Quando, no dia seguinte, na sessão de quarta-feira, os vereadores acusaram a presidente de ter passado informações erradas na imprensa, o Sindservi divulgou vídeo do momento em que os servidores deixam a Câmara na terça e a presidente fez discurso informando que o presidente Cesinha está dando todo apoio a causa dos servidores e que o Sindicato sempre teve as portas abertas na Câmara. Ficou claro que a matéria na imprensa se tratou muito mais de uma inabilidade jornalística aos assuntos políticos da Câmara.

    Desta forma o Sindservi agiu da forma que todo sindicato deve agir, com determinação, coragem, diálogo e inteligência. Certamente ainda vai passar por muitas críticas e dificuldades, mas muito por causa dos anos em que os servidores não tiveram uma representação sindical como deveria ser.    

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