Caminhando um pouco sobre teoria política, é importante comentar sobre esse momento que vivemos no Brasil. Que é uma defesa contundente e até feroz do sistema democrático. Em um momento tão polarizado o que é comum aos dois lados, esquerda e direita, é o discurso de defesa da democracia. Então achei importante comentar um pouco sobre esse sistema político. Certamente o sistema mais utilizado no mundo e, na minha visão, um dos mais distorcidos também. Para usar dois exemplos nos campos extremos, observem que curioso: O nome oficial da Coréia do Norte é Republica Popular Democrática da Coréia e o nome oficial da Espanha é Reino da Espanha. Neste caso vou deixar a reflexão para os leitores.
Trazendo o foco para o Brasil que tem o nome oficial de Republica Federativa do Brasil. Isso mesmo, não somos um reino, nem populares e nem democráticos em nosso nome oficial. Mas é evidente que somos uma democracia. Mas nem sempre foi assim. Já fomos Colônia, Reino, Império, República e, nunca oficialmente, mas de fato, uma ditatura (por mais de uma vez). A característica da nossa democracia é a representatividade. Isto é, a população escolhe seus representantes. Que é diferente da democracia direta, onde todos participam da tomada das decisões. A democracia direta é, por motivos populacionais, cada vez mais difícil de ser exercida no mundo atual, restando a representativa como a mais utilizada.
A democracia representativa trás algumas distorções que não podem ser deixadas de lado em uma análise da própria democracia. E a maior destas distorções é justamente a escolha do seu represente. E vou destacar dois aspectos das características desta escolha. A primeira é que, nem sempre é eleito o representante em que votamos. E a segunda e principal na minha observação, é que o escolhido não pensa, vive ou faz as mesmas escolhas que nós faríamos. Isto é, o representante é uma imagem distorcida e incompleta do que nós somos. E esse é o principal problema da democracia representativa.
Chegando a Macaé encontramos os mesmos problemas da democracia representativa. Com a proximidade das eleições para deputados, senador, governador e presidente, iniciamos a busca por candidatos que tenham o maior número de características que se aproximam do que somos. Algumas das vezes idealizamos que o nosso escolhido é exatamente igual a nós, fato que a razão logo desmente. E é essa espécie de ilusão que nos trás as decepções com os representantes que já estão eleitos. E, acredite em mim, o representante que votamos e elegemos, em algum momento vai nos decepcionar. Vamos critica-lo, e com razão, por seus votos e suas opiniões, justamente por ele ser um representante de parte de uma sociedade e não de um indivíduo apenas.
Com essa espécie de falha da democracia precisamos ter ainda mais atenção quando escolhemos nossos representantes. Ele deve ser algo próximo do que pensamos, do que escolhemos e do que queremos como resultado para a sociedade. Votar é buscar a sua representatividade e não a busca de destruir algo que não se aproxima do que se é. Por isso votar para agradar alguém, destruir alguém, ou se vingar de alguém não é democracia, é tirania.

Comentários
Postar um comentário