Talvez seja o macaense mais famoso da história; seu apelido "Paulista de Macaé" tornou-se um jingle de campanha presidencial, conduzindo Washington Luiz Pereira de Souza à Presidência da República. No entanto, vou contar parte desta história de trás para frente.
Nas poucas aparições e declarações públicas após sofrer o golpe que o retirou da presidência, Washington era lacônico ao afirmar que morreu em 1930, ano do golpe. Sua partida deste mundo ocorreu de fato em 1957, na cidade de São Paulo, depois de muitos lugares por onde esteve após a presidência, mantendo sempre uma característica: ausência de vida pública.
Era domingo, 4 de agosto de 1957, quando o ex-presidente não resistiu mais à doença que o consumia. Nos últimos dez anos de vida, ele viveu em total isolamento, trancado em sua residência, dedicando-se à revisão de seu último livro: "A Província de São Vicente". Seu corpo foi velado na Igreja Nossa Senhora do Brasil. A causa da morte foi uma forte pneumonia; Washington tinha 87 anos.
Deposto da presidência, Washington passou 17 anos fora do Brasil, mantendo sua postura discreta e seu jeito introspectivo. Não se lamentou nem planejou uma contrarrevolução; dedicou-se aos estudos e pesquisas para seu outro talento, a escrita. Ao retornar ao Brasil em 1947, trouxe consigo poucas malas, um rádio de pilhas e muito apoio popular. Foi recebido por uma multidão e celebrado como um homem íntegro dedicado ao bem-estar do país.
Cronologia de Washington Luiz:
26 de outubro de 1870: Nasce em Macaé, Estado do Rio, filho do tenente-coronel Joaquim Luís Pereira de Sousa e D. Florinda Sá Pinto Pereira de Sousa.
1884: Matriculado no Colégio Pedro II, Rio de Janeiro.
1888: Vai para São Paulo, conclui o curso secundário e matricula-se na Faculdade de Direito.
1891: Forma-se em Direito.
1892: Vai para Barra Mansa como promotor público. Exonera-se para iniciar, em Batatais (SP), sua carreira como advogado.
1897: Inicia a carreira política, elegendo-se vereador à Câmara de Batatais.
1898: É eleito intendente (prefeito) de Batatais.
1899: Reeleito intendente.
1900: Casa-se com D. Sofia Oliveira de Barros, filha dos barões de Piracicaba.
1904: Eleito Deputado Estadual por São Paulo.
1905: Nomeado Secretário de Justiça, principalmente para combater o Jogo do Bicho.
1913: Eleito prefeito de São Paulo. Construiu 300 km de estradas e popularizou o bordão "Non ducor, duco" (Não sou conduzido, conduzo).
1920: Eleito Presidente do Estado de São Paulo, construiu 823 km de estradas e modernizou o estado em diversos setores.
1924: Deixa o governo de São Paulo e se elege Senador.
1926: Eleito Presidente da República.
23 de julho de 1930: É retirado do cargo e no dia seguinte é preso no Forte Copacabana. Logo depois, é exilado para a França.
1939: Vai morar na Suíça para fugir da Guerra.
1940: Mora em Lisboa.
1941: Vai para Nova Iorque.
18 de setembro de 1947: Volta ao Brasil. Mesmo muito bem recebido, não retorna à política.
04 de agosto de 1957: Morre em sua casa, na rua Haddock Lobo, 1307, São Paulo.


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